O que significa escrever e pensar à partir do sul?

Decorreu ontem em Maputo, num evento co-organizado pela Bloco 4 Foundation e o Centro de Investigação em Economia e Sociedade (CIES), do Instituto Superior Monitor, uma conversa pública com a Professora e Investigadora Maria Paula Meneses que é membro da comissão de honra da Bloco 4 Foundation, coordenadora de investigação e vice-presidente do conselho científico do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. 
Na Conversa intitulada “ Pesquisar, escrever e publicar: Experiências à partir das Epistemologias do sul”, Meneses começou por reconhecer que existem desafios importantes, a ter em conta quando fazemos pesquisa à partir do sul global. Dentre esses desafios destacam-se o fato de se ter de reconhecer que qualquer saber é situado deve-se ter em conta a diversidade cosmológica, o mundo é um pluriverso e que o sul não é geográfico contrapondo as perspetivas das epistemologias do norte que reconhecem apenas, que existe uma forma de conhecimento rigoroso: a ciência. 
No entanto, algumas questões ficam por pensar ainda. O que significa escrever e pensar à partir do sul? De que modo a fratura abissal não nos permite entrar e pensar na ciência? Como foi sendo legitimada a ideia do Norte global como centro do conhecimento?